sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Tem dias que a solidão pesa
e senta ao seu lado para conversar.
Vai lembrando os vazios da vida
e o quanto você não está.
Não está junto.
Não é par,
não é plural;
a solidão te lembra
que você é ímpar no singular
Cadê aquele cara que vai causar frisson?
Que vai chegar na cara dura,
olhar indesviável,
e ficar para sempre?
Cadê aquele "sexo oposto"
do que do oposto que dizem,
vai mudar a minha incredulidade?
Cadê aquele que vai pulverizar minha vida
de alegria conjunta em noites sem lua?
Por onde anda o sorriso só meu,
um olhar caliente que possua o meu?
Por onde anda esse outro
que procura por mim?
Alguém procura por mim?

Por mais que eu diga "não!",
na verdade, é um grito rouco de "cadê você?".

Não sou infeliz sozinha. Não sou.
Só não sou completamente feliz só

domingo, 31 de agosto de 2014

Poesia Erótico-Verbal


Pela aquela frase enorme
e despe-a.
Vai tirando toda a roupa
adjetival, pronominal...
E deixa a raiz da palavra,
pelada,
sagrada,
virginal.
Chupa os pingos dos "is",
coloque o dedo nas vírgulas,
essas desavergonhadas frasais,
que separam as coisas certas,
fazem pausas para o nosso fôlego, ah!
Despiu?
Agora veste de metáforas,
cobre-as de analogia,
fantasia qualquer coisa
para o gozo dos olhos.
Pega forte a ideia,
joga no papel a bendita,
massageia os elogios,
adjetivos, numerais, pronominais, ocultos, implícitos,
substantivados, regulares, reduzidos, metafóricos,
pronominais, vocacionais,
Dê-me, me dê, me dê, dê, dê, dêêê!
Agora pausa no ponto parágrafo.
Respiração numeralmente longa
pelo gozo verbalístico.
Um sorriso adverbial na cara...
Não disfarça! Todo mundo já percebeu;
você fez sexo com as palavras.

sábado, 30 de agosto de 2014

Amor,
se você chegar
dá pra arrombar a porta?
Eu tranquei por dentro
e joguei a chave fora!

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Olha uma estrela
no azul do céu.
Tá ficando escuro
do jeito que é bom olhar.
Tem estrela pipocando
por um mar azul invertido.
Do jeito que eu gosto
Do jeito que é bom olhar...
De azul ao preto
e depois ao clarear...
Se o sono não me rendesse
passava a noite acordada
só para contar
todas as estrelinhas
que nascem nas costas do céu.
Mas o sono me vence
e eu as conto no sonho.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Rendição



Amar é sofrer
e escrever é amar.
Tenho medo de amar,
por isso tenho
deixado de escrever.

Se o poema me obrigar
renderei-me sem lutar
ao algoz verbalizado,
ritimado
pela luz que enxergo
em ti ao teu
retumbante sorriso em mim.

Ó, sina cruel
de quem derrama versos
em lágrimas
de amor!
Por quê, ó Deus,
fazes isso comigo?
Por que não consigo ser
como todo mundo,
normal,
casual,
trivial?
Tenho que ser assim...
tão anormal?

Mas se o verbo me render
apontando suas armas
pontiagudas
e ferinas
como brilhos e sorrisos,
gargalhadas e suspiros,
como resistir?
Darei tudo o que tenho.
Verbo, versos,
palpitações
e dilacerações cardíacas.
Tudo fruto de uma
esperança
chamada Amor.

Saudades do céu e um pedido de piedade


Passarinho na gaiola
é de partir o coração.
Seu canto sofrido,
olhos lacrimejando
liberdade...
Saudades do céu.
Preso,
partido,
ferido
no seu sonho
infinito
de abrir asas e voar.
Não confio
em quem prende passarinho.
Seu canto entre grades
é gemido.

 

Quem dera eu pudesse
arrebentar as prisões,
os grilhões
e fazer dos pássaros
nuvens,
sonhos,
asas libertas!
Quem dera...
a alforria dos bichos!

 

Pássaros,
desculpem a minha raça
insana,
desumana
e burra
que rouba teu céu
pelo teu lamento em canto.
Que o Deus-Passarinho
tenha piedade de nós.

domingo, 10 de agosto de 2014

Hoje não


Não.
Hoje não há poema.
Sem rima rica ou pobre.
imperfeita ou emparelhada.
Disso tudo;
nada.
Não vou perder-me
Em versos
Outra vez.
Não.
Nem tua pele,
Teu abraço
Ou tua graça
Em qualquer piada.
Não.
Hoje não.
Não?
Porque amar é sofrer
E escrever é amar.
Não.
Hoje não.

FORMIGA


Corta, corta
Corta a folha
Corta a folha
Sem parar.
Vai formando
Uma filinha
Pra rainha
Alimentar.
São as trabalhaderas
Das formigas
Sem parar.
Elas carregam
Muitas coisas
Nas costinhas
Sem cessar.
As formigas
São fortinhas
Levam pesos
Sem cansar.

Pega açúcar,
Pega folha, 
Vai levando
Sem parar
Numa fila
Infinita
As formigas
Vão andar.
Não se cansa
A formiga
Das folhinhas
Carregar.
Ela sabe
Seu trabalho
Pro formigueiro
Funcionar.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Dia dos namorados

Eu tenho problemas em acreditar no amor.
Se eu me decepcionei,
provavelmente
nunca mais eu vou confiar.
Falo contigo.
Rio contigo.
Até ando contigo.
Mas nunca mais deposito
minha poesia em você.
Nunca mais você será motivo de versos,
exilado das palavras
algoz das lágrimas
carrasco do coração.
Nunca mais.
Nunca mais
Nunca mais
serás motivo,
motim
para mim.
Por causa de antigos vocês
eu não confio mais no amor.
Melhor assim...
Melhor pra mim...
Sem sofrer, sem chorar, sem morrer...
A porta está trancada.
Quem se aventurar
que traga uma picareta
e arrombe a porta!

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Árvore


A cada dia que passa
um folha cai dos meus dias...
E eu fico mais profunda,
enraizada.
A cada folha que nasce
eu acarinho um terrestre
com meus braços abertos,
no conforto do meu colo-mãe.
Humanos, não me cortem,
não me horizontalizem,
me deixem verticalizar!
E os que me abraçam,
eu agradeço
chorando em flor e fruto nas primaveras...

Carla Luz - 29 de Março de 2014

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Por quê?



Por que os adultos não entendem
que é gostoso perder-se
em nuvens, em chuva, em riso?
Por que os mais velhos
ganham rugas de preocupação
e não de muitas risadas?
Por que a gente cresce?
E não dança mais, não pinta,
não dá risada, não olha pro céu,
não brinca, não pula,
não faz cócegas?
Por que, adultos? Por quê?

domingo, 25 de maio de 2014

Do-min-go



Ah! A felicidade de não acordar cedo,
deixar o cabelo sem pentear,
passar o dia de pijamas
tomar um café tarde
e almoçar a janta...
Ah! Nada como o domingo
para vir alegrar o dia
daquele que trabalha duro.

Aproveitemos o dia inteiro
cada minutinho perdido
entre os cochilos no sofá.
Deixemos o penteado pra amanhã!
Deixemos os horários para depois!
Sejamos descansadamente felizes
em não fazer nada desse dia.
Do-min-go.