terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Fingir



O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente. 
(Pessoa)


Eu finjo que entendo quando você diz que saturou e não vai mais participar.
Eu finjo que te dou parabéns quando você se diz animado com a profissão que está e que era diferente daquele sonho antigo, lembra? Aquele sonho sonhado olhando as estrelas?
Eu finjo que fico feliz quando você vai pra outro estado e me deixa sem chão durante toda a minha adolescência e adulteza; sem referência para amadurecer. E eu sinto que parei no tempo porque não tive um exemplo bom pra me espelhar.
Eu finjo que fico feliz em saber que foi você com quem ele transou e não comigo.
Eu finjo felicidade em saber que vocês estão juntos há 4 anos ou 5 anos... mas que antes o clima de romance era comigo.
Eu finjo que gosto de todo esse encontro o tempo todo. Gostar dele eu gosto, mas sabe do que eu sinto falta? De ficar só.
Eu finjo que tá tudo bem em ser solteira quando, em partes, não está.
Eu finjo que tô triste por estar solteira, quando, na maioria das vezes, eu me sinto extremamente bem em estar só.
Eu finjo que respeito o seu espaço, mas gostaria de invadi-lo. E sinceramente não sei porque não faço isso.
Eu finjo que não tenho medo de baratas quando você está perto só porque você tem mais medo do que eu e eu quero parecer corajosa para você gostar de mim mesmo sabendo que você não gosta...
Eu finjo que não sinto saudades, quando na verdade, ela quase me mata, por isso a coloco de lado para não pensar e não doer.
Muitas vezes, eu finjo que tô bem, mas não tô.

De que adiantaria eu dizer a verdade nua e crua? Então eu finjo só pra te ver sorrir, feliz para mim.

Por que na verdade, eu queria que permanecesse, que perseguisse seu antigo sonho, que você ficasse, que transasse comigo, que o romance fosse entre nós dois, que soubesse que me incomoda os seus espaço, que eu tivesse possibilidade de ficar sozinha algumas horas, soubesse que morro de medo de barata tanto quanto você, que sinto saudades doloridas, que muitas vezes estou mal demais para falar.

Mas dizer a verdade é complicado, então eu finjo como louco.
Por que poeta escreve e vai vivendo. Louco escreve e vai vivendo suas palavras.




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