sexta-feira, 18 de maio de 2007

Ah! Se eu tivesse... ganhasse... pudesse...

Ah! Se eu tivesse um carro!
Ah! Se eu tivesse uma namorada igual a Juliana Paes!
Ah! Se eu tivesse um namorado como o Malvino Salvador! (Ei! Eu falo isso direto!)
Ah! Se eu ganhasse na loteria! Ah!
Se o meu salário fosse de 5 mil reais por mês!
Ah! Se a minha família fosse melhor!
Ah! Se eu fosse 10 quilos mais magra!
Ah! Se os meus amigos fossem menos malucos!

Alguns desses "Ah!..." você já falou um dia, ou sempre fala, não é mesmo? Você (e eu!) queria(mos) ter uma casa melhor, uma família melhor, um namorado melhor, um emprego melhor, um amigo melhor, uma vida melhor! Depois dessa divagação é que vem a tristeza: tudo o que você pensou,sonhou pra si, você não tem.

A gente passa tanto tempo pensando no que gostaria de ter, no que gostaria de viver que esquece de viver o que tem. Pode até não ser uma Brastemp, mas é o que você tem: aproveite! Não estou dizendo que não devemos sonhar; devemos sim, mas se o sonho é mais constante que o presente, é melhor deixá-lo de lado um pouco. Não dá pra viver no mundo da lua o tempo todo!

Já reparou que a nossa infelicidade se encontra muitas vezes na comparação? Eu lí uma crônica de Rubem Alves e ela dizia assim: "...o início da infelicidade humana se encontra na comparação. Experimentei isso em minha própria carne. Foi quando eu, menino caipira de uma cidadezinha do interior de Minas, me mudei para o Rio de Janeiro, que conheci a infelicidade. Comparei-me com eles: cariocas, espertos, bem falantes, ricos. Eu diferente, sotaque ridículo, gaguejando de vergonha, pobre: entre eles eu não passava de um patinho feio que os outros se compraziam em bicar." (Retirado do site:http://www.rubemalves.com.br/asolidaoamiga.htm) Viu? Não é só você que se senti diferente! Até o Rubens Alves, grande escritor!

A gente não está satisfeito com o namorado porque o namorado da amiga é melhor, mais romântico, mais sexy. Que tal a gente olhar o que o nosso tem de bom sem compará-lo com os outros? Não está satisfeito com o emprego, porque o amigo ganha mais e trabalha menos; não está satisfeito com o corpo porque a Juliana Paes é mais linda, mais magra e todos os homens olham pra ela. Eu não estou falando para VOCÊ somente, estou falando para MIM, principalmente.

A nossa tristeza e insatisfação está enraizada na famosa frase de criança "eu tenho, você não tem", só que no nosso caso é o outro tem o que eu não tenho.

Quase toda a nossa tristeza está fundamentada na comparação. O depressivo se senti triste porque acaba se comparando as pessoas a sua volta, que estão, aparentemente, alegres; o ciume é uma comparação também. O marido imagina que a mulher está com outro, fica imaginando que ela está com outro. As pessoas com disturbios alimentares, sempre se comparam com alguém que acham melhor que elas, mais bonitas, mais magras...

Quanto mais compararmos a nossa vida com aquela que idealizamos, a nossa tristeza aumentará. Ponha isso na sua cabeça (estou falando pra mim também): Você tem o seu emprego, se ele pode ser melhor, corra atrás; se não pode, contente-se com o que tem. Se o seu corpo não é igual ao da Juliana Paes, fique feliz com ele. Você não é a Juliana Paes, você é você, do jeitinho que é; gordinha, magrinha, baixinha, alta, com peito, sem peito. Você nunca será a Juliana Paes. Essa última frase parece má. Mas a próxima é melhor: a Juliana Paes nunca será você (azar o dela!!!)

Eu me comprometo a gostar de que eu tenho (espero que você faça o mesmo!): com o corpo que eu tenho, com o emprego que eu tenho, com os amigos que eu tenho, com a família que eu tenho. Se eu puder melhorar (arrumar um emprego melhor, emagrecer...), vou melhorar; se eu não puder melhorar, vou viver a minha vida assim e ser feliz. Dentro do possível. Ser feliz e sem comparar a minha felicidade com a do outro.

Um grande abraço pra vocês. O meu abraço e não de outra pessoa, porque o meu abraço ninguém vai poder dar por mim!

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