segunda-feira, 23 de outubro de 2006

"O POETA

A vida do poeta tem um ritmo diferente
É um contínuo de dor angustiante.
O poeta é um destinado do sofrimento
Do sofrimento qe lhe clareia a visão de beleza
E sua alma é uma parcela do infinito distante
O infinito que ninguém sonda e ninguém compreende.

Ele é o eterno errante dos caminhos
Que vai, pisando a terra e olhando o céu
Preso pelos exretmos intangíveis
Clareando como um raio de sol a paisagem da vida..."

Vinicius de Moraes

quinta-feira, 19 de outubro de 2006

Fuxicando no orkut, acabei encontrando esse poema na comunidade "Literatura Marginal Moderna - http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=5950631


Calça jeans batida
Camiseta preta
Tênis velho, sujo

Que poeta é esse?
Que maluco é esse?

Na mesa de um bar qualquer
Fala de música, mulher, cultura
Fala de cinema, informática, literatura.

Que poeta é esse?
Que maluco é esse?

A donde ele estiver
Fala de ciência, religião, filosofia
Fala de desenho, da vida alheia, de geografia
Fala do que quiser.

Que poeta é esse?
Que maluco é esse?

Leandro - perfil no orkut - http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=2011159137749887861

Estava dando uma olhada no orkut alheio, como é de praste (eu não resisto!), e achei o poema desse rapaz Leandro (nem sei quem é). Achei ele(o poema) muito bom.
Gostei quando ele pergunta "Que poeta é esse? Que maluco é esse?"
Já reparou que muito poetas são meio doidos? Eu não sei se todo poeta é meio maluco ou se todo maluco é meio poeta.
Hoje eu estava vendo o programa da Tv Escola - Semana da Poesia (muito bom!), e estava passando uma reportagem sobre a produção artística no Centro Psiquiátrico do Rio de Janeiro. Mostrando que há um grupo lá que trabalha a música, a poesia e são todos muito bom. Havia um rapaz muito criativo, que se deixasse fazia umas 8 músicas por dia! Acho que realmente todo poeta é um pouco louco.

Mas ao mesmo tempo que os poetas são loucos, são pessoas normais. Usam jeans velho, blusa preta e tênis velho e sujo como todo mundo. Não há nada de extraordinário em se fazer poesia. Só o fato de captarmos a realidade, e descrevê-la de uma maneira diferente, da nossa maneira, diferente de qualquer outra pessoa.
Esse poema não coloca o poeta num pedestal, como acontece com os atores na televisão; mas nos coloca no mesmo patamar de qualquer cidadão: vamos ao bar, falamos de política (falamos mal da política), falamos mal do vizinho, de religião, de literatura (mesmo sem notarmos), de geografia, de tudo como todo mundo.
O que eu mais gostei nesse texto é o fato de que eu posso ser igual a todo mundo e ainda ser poeta.
Acho que isso é ser um pouco poeta marginal, que não precisa estar na academia brasileira de letras, não precisa ficar famoso, não precisa vender livros, fala sobre o que quer e sobre o que gosta, na hora que quer, é aquele que fica na margem, como a maior parte da população do Brasil.

Um grande abraço!
Carlinha

quarta-feira, 18 de outubro de 2006

Agora é música!

Oi!
Posso pedir uma coisa antes de começar? Esqueça a música e o ritmo por uns instantes, esqueça o autor e repecursão que a música têm no Brasil. Esqueça os preconceitos musicais em relação à outros ritmos. Vamos começar.

Desenho de Deus (Armandinho)

"Quando Deus te desenhou
Ele tava namorando(2x)
Na beira do mar
Na beira do mar do amor
Na beira do mar
Na beira do mar do amor

Papai do céu na hora de fazer você
Ele deve ter caprichado pra valer
Botou muita pureza no seu coração
e a sua humildade fez chamar minha atenção

tirou a sua voz do própolis do mel
e o teu sorriso lindo de algum lugar do céu
e o resto deve ser beleza exterior
mas o que têm por dentro para mim tem mais valor

Quando Deus te desenhou
Ele tava namorando(2x)
Na beira do mar
Na beira do mar do amor
Na beira do mar
Na beira do mar do amor


Papai do céu na hora de fazer você
Ele deve ter caprichado pra valer
Botou muita pureza no seu coração
e a sua humildade fez chamar minha atenção

Da estrela mais bonita o brilho desse olhar
Diamante verdadeiro sua palavra foi buscar
e o resto deve ser beleza exterior
mas o que têm por dentro para mim tem mais valor."

Sei que muita gente não gosta do Armandinho, não gosta do estilo, e vai dizer que a música é insuportável, repetitiva, mas ninguém pode negar que ela fica na cabeça por mais que se deteste.
Mas não é disso que eu quero falar.
Essa música me fez pensar e muito mesmo. O que será que Deus estava fazendo ou pensando quando me criou? Eu nunca tinha parado pra pensar nisso. E gastei uns belos dias pensando no assunto e ainda não cheguei a nenhuma conclusão. Eu ainda naõ sei o que Deus estava fazendo quando estava me fazendo?
Será que o Armandinho, quando disse que "Deus estava namorando", queria falar sobre o ato de se criar um ser através do sexo como todo ser humano? Se ele pensou dessa maneira, ele deve acreditar que o homem é a imagem e semelhança de Deus. Se o homem é dessa maneira (se reproduz namorando), Deus também deve fazer, já que somos uma réplica Dele, não acham?
Ou será que Armandinho estava apenas usando uma linguagem simbólica, relacionando o ato de criar uma pessoa especial com o prazer? Eu acho que é a segunda opção, mas não descarto a primeira de jeito nenhum.
Gosto muito de observar como Armandinho faz alusão às belezas na natureza para mostrar no que Deus se inspirou pra fazer alguém. E eu acho muito lindo o que ele escreveu. Doce e bonito, dá até pra dizer pra um amigo!
Essa música já virou chacota entre os meus amigos, e sempre sai uma piadinha quando escutamos a música, ou pelo menos eu sempre faço uma piadinha (e minha mãe sempre rí).
Já escutei (imagine a música) " Quando Deus te desenhou, ele tava é cagando" e rí pra chuchu. Eu escutei essa frase do Bruno e tenho certeza que ele deve cantar essa música pra alguma pessoa bem feia. Ele fez exatamente ao contrário do Armandinho, transferiu toda a feiura, cheio, aspecto das fezes para o ato da criação de alguém; e só podia ser gerado, apartir disso, uma coisa horrosa. Não cantem essa versão pra todos não, tá?
Outra que eu escutei, "Quando Deus me desenhou, ele tava é dormindo". Não sei se a pessoa estava se referindo ao fato dela ser muito sonolenta, ou se ela saiu tão sem grandes motivos, como se Deus estivesse com sono e não tivesse prestado muita atenção na hora de criá-la. Eu prefiro achar que é porque ela é muito sonolenta, assim como eu!
Mas depois disso tudo, ainda não descobri o que Deus estava fazendo ou pensando na hora que me criou... Será que ela estava compondo uma música, fazendo uma pintura, escultura, caricatura ou escrevendo uma poesia?
Eu ainda não sei, mas um dia ainda vou perguntar pra Ele!

Um grande abraço!
Carla Luz